HISTÓRIA · LUIZ SCARPELLI
Ditadura Militar no Brasil (1964 – 1985)
Vinte e um anos de história para conhecer e não esquecer
Durante 21 anos, o Brasil viveu sob um regime militar, com cassações, censura e repressão, mas também com crescimento econômico e grandes obras. Esta página apresenta os fatos com base em documentos oficiais e no relatório da Comissão Nacional da Verdade, para que a história seja conhecida e debatida.
Texto e curadoria: Luiz Scarpelli
Por que contar esta história
Vinte e um anos que o Brasil precisa conhecer para não repetir. Esta história é contada com base em fontes oficiais, como o relatório da Comissão Nacional da Verdade, em homenagem a todos os que defenderam a democracia.
Ditadura Militar no Brasil em 12 placas












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Linha do tempo
- 1961 – 1964 · Um país dividido
Com a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, assume o vice João Goulart. Suas reformas de base dividem o país em plena Guerra Fria. Crescem os protestos de apoio e de oposição ao governo. - 1964 · O golpe
Entre 31 de março e 1º de abril de 1964, militares, com apoio de setores civis, depõem Goulart, que parte para o exílio. Em 11 de abril, o Congresso elege o marechal Castelo Branco presidente. - 1964 – 1966 · Os Atos Institucionais
Os Atos Institucionais cassam mandatos e suspendem direitos políticos. O AI-2, de 1965, extingue os partidos e cria o bipartidarismo, com Arena e MDB. Presidente e governadores passam a ser eleitos indiretamente. - 1967 · A nova Constituição
Uma nova Constituição incorpora a maior parte das regras do regime e amplia os poderes do Executivo. O marechal Costa e Silva assume a Presidência. - 1968 · O AI-5
Após a Passeata dos Cem Mil e outros protestos, o governo edita o AI-5, em 13 de dezembro de 1968. O Congresso é fechado, o habeas corpus é suspenso para crimes políticos e a censura se amplia. - 1969 – 1974 · Os anos de chumbo
Sob o general Médici, a repressão atinge o auge. Grupos de esquerda recorrem à luta armada. A Comissão Nacional da Verdade documentou prisões ilegais, tortura, mortes e desaparecimentos de opositores. - 1968 – 1973 · O milagre econômico
A economia cresce perto de 10% ao ano, com grandes obras como a Transamazônica e a ponte Rio–Niterói. O crescimento é acompanhado de concentração de renda e aumento da dívida externa. - 1974 – 1979 · A abertura
O general Geisel anuncia uma abertura lenta, gradual e segura. As mortes do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, e do operário Manoel Fiel Filho, em 1976, sob custódia do Exército, provocam forte reação. - 1979 · A anistia
Em 28 de agosto de 1979, sob o general Figueiredo, é sancionada a Lei da Anistia. Exilados voltam ao país e presos políticos são libertados. A lei também alcançou agentes do Estado, ponto debatido até hoje. - 1983 – 1984 · Diretas Já
Milhões de brasileiros vão às ruas pedir eleições diretas para presidente. Em 25 de abril de 1984, a emenda Dante de Oliveira é rejeitada na Câmara, mas a campanha marca a volta do povo às praças. - 1985 – 1988 · A redemocratização
Em janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral elege Tancredo Neves. Ele adoece e morre antes da posse, e José Sarney assume. Em 5 de outubro de 1988, é promulgada a Constituição Cidadã. - 2014 · A Comissão Nacional da Verdade
Em 10 de dezembro de 2014, a Comissão Nacional da Verdade entrega seu relatório final: reconhece 434 mortos e desaparecidos políticos e recomenda medidas de memória e reparação. O período continua a ser estudado e debatido.
Fontes
- Comissão Nacional da Verdade, Relatório Final (2014), memoriasdaditadura.org.br
- CPDOC / Fundação Getulio Vargas, verbetes sobre o regime militar e os Atos Institucionais
- Arquivo Nacional, Memórias Reveladas
- Fausto, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp









