HISTÓRIA · LUIZ SCARPELLI
Barão de Mauá (1813 – 1889)
O empreendedor que pôs o Brasil nos trilhos
De caixeiro aos nove anos a homem mais rico do Império, Irineu Evangelista de Sousa construiu a primeira ferrovia do Brasil, estaleiros, bancos e o cabo que nos ligou à Europa. A história de um empreendedor à frente do seu tempo.
Texto e curadoria: Luiz Scarpelli
Por que esta homenagem
Irineu Evangelista de Sousa construiu ferrovias, estaleiros e bancos quando o Brasil ainda era um país agrário. Esta homenagem é ao empreendedor que acreditou no país antes do seu tempo, e que conheceu tanto o sucesso quanto a ruína.
Barão de Mauá em 12 placas












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Linha do tempo
- 1813 · O menino do Arroio Grande
Irineu Evangelista de Sousa nasce em 28 de dezembro de 1813, no Rio Grande do Sul. Perde o pai ainda pequeno. Aos nove anos, segue com um tio para o Rio de Janeiro para trabalhar no comércio. - 1823 – 1830 · Caixeiro aos nove anos
Começa como caixeiro de loja, dormindo no próprio balcão. Trabalha duro, aprende contabilidade e idiomas e chama a atenção do comerciante escocês Richard Carruthers, que se torna seu mentor. - 1830 – 1839 · Sócio aos vinte e poucos anos
Carruthers o faz gerente e depois sócio da firma. Quando o escocês volta para a Grã-Bretanha, Irineu, ainda jovem, assume o comando dos negócios no Rio de Janeiro. - 1840 · A viagem à Inglaterra
Na Inglaterra, Irineu vê de perto a Revolução Industrial: fábricas, ferrovias, fundições e bancos. Volta convencido de que o Brasil também podia se industrializar. - 1846 · A Ponta da Areia
Compra uma pequena fundição em Niterói e a transforma no Estaleiro da Ponta da Areia. Ali se fabricam caldeiras, canos, máquinas e dezenas de navios. É um dos maiores estabelecimentos industriais do Império. - 1852 – 1854 · Navios e luz a gás
Funda a Companhia de Navegação a Vapor do Amazonas e assume a iluminação a gás do Rio de Janeiro. As ruas da capital do Império, antes escuras, passam a ser iluminadas a gás. - 1854 · A primeira ferrovia
Em 30 de abril de 1854, inaugura a primeira estrada de ferro do Brasil, com cerca de 14 quilômetros, no fundo da baía de Guanabara. A locomotiva Baroneza puxa o trem inaugural. No mesmo ano, ele recebe o título de barão. - 1850 – 1870 · O banqueiro do Império
O Banco Mauá chega a ter filiais no Brasil, no Uruguai, na Argentina e em Londres. Mauá investe em ferrovias, bondes, companhias de navegação e cabos telegráficos. Torna-se o homem mais rico do país. - 1874 · O cabo submarino
Mauá participa do projeto do cabo telegráfico submarino que liga o Brasil à Europa. No mesmo ano, recebe o título de visconde. As notícias, antes trazidas por navios, passam a chegar em horas. - 1850 – 1888 · Ideias à frente do tempo
Defendia o trabalho livre, a indústria nacional e o crédito para quem produz. Suas ideias enfrentavam a resistência de uma economia baseada na terra e na escravidão. - 1875 · A queda
A crise financeira e a falta de apoio do governo levam o banco à moratória. Mauá entrega seus bens para pagar os credores e, anos depois, publica uma exposição para explicar as contas e defender sua honra. - 1889 · O legado
Mauá morre em Petrópolis em 21 de outubro de 1889, semanas antes da República. Considerado o pioneiro da industrialização brasileira, dá nome a cidades, ruas e ao prêmio maior da engenharia ferroviária.
Fontes
- Caldeira, Jorge. Mauá: empresário do Império. São Paulo: Companhia das Letras
- Museu Imperial de Petrópolis, acervo sobre o Visconde de Mauá
- Mauá, Visconde de. Exposição aos credores e ao público (1878)
- Centro-Oeste / Preserve, história da Estrada de Ferro Mauá (1854)









