HISTÓRIA · LUIZ SCARPELLI
Marechal Rondon (1865 – 1958)
Morrer, se preciso for; matar, nunca
Levou o telégrafo à Amazônia, mapeou o Brasil profundo e protegeu os povos indígenas com uma ordem que virou lenda: morrer, se preciso for; matar, nunca. Conheça o homem que deu nome a um estado brasileiro.
Texto e curadoria: Luiz Scarpelli
Por que esta homenagem
Rondon levou o telégrafo ao interior do Brasil e fez da paz com os povos indígenas um princípio: "morrer, se preciso for; matar, nunca". Um brasileiro exemplar, que merece ser mais conhecido pelas novas gerações.
Marechal Rondon em 12 placas












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Linha do tempo
- 1865 · O menino de Mimoso
Cândido Mariano da Silva Rondon nasce em 5 de maio de 1865, em Mimoso, Mato Grosso. Tinha ascendência indígena, bororo e terena. Órfão muito cedo, é criado pelo avô e depois por um tio em Cuiabá. - 1881 – 1890 · A formação militar
Entra no Exército e estuda na Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Ali conhece o positivismo de Benjamin Constant, ideia que guiará sua vida: ciência, ordem e respeito à humanidade. - 1890 – 1906 · Os primeiros fios
Participa da construção de linhas telegráficas que ligam Mato Grosso a Goiás e ao resto do país. Atravessa o sertão a cavalo e a pé, abrindo picadas, medindo terrenos e fazendo contato com povos indígenas. - 1907 – 1915 · A Comissão Rondon
À frente da Comissão de Linhas Telegráficas de Mato Grosso ao Amazonas, leva o telégrafo até a Amazônia. A expedição mapeia rios, serras e territórios até então desconhecidos dos mapas oficiais. - 1907 – 1915 · Morrer, se preciso for
Em vez de responder com armas aos ataques, Rondon ordena aos seus homens: morrer, se preciso for; matar, nunca. O lema torna-se símbolo da política de contato pacífico com os povos indígenas. - 1910 · O Serviço de Proteção aos Índios
Rondon é o primeiro diretor do Serviço de Proteção aos Índios, o SPI. Pela primeira vez, o Estado brasileiro cria um órgão para proteger as terras e a vida dos povos indígenas. - 1913 – 1914 · A expedição com Roosevelt
Rondon guia o ex-presidente americano Theodore Roosevelt pela Amazônia. Juntos, descem o desconhecido Rio da Dúvida, que passa a se chamar Rio Roosevelt. A viagem torna Rondon famoso no mundo inteiro. - 1900 – 1930 · Ciência no coração do Brasil
As expedições percorrem dezenas de milhares de quilômetros. Trazem mapas, fotografias, filmes e milhares de exemplares de plantas e animais, que enriquecem o Museu Nacional e a ciência brasileira. - 1934 – 1938 · Diplomata da paz
Rondon preside a comissão internacional que acompanha o acordo de paz entre Peru e Colômbia na região de Letícia, na Amazônia. Mais uma vez, prefere o diálogo à guerra. - 1939 · O Conselho de Proteção aos Índios
Já idoso, assume a presidência do Conselho Nacional de Proteção aos Índios. Defende a criação de áreas protegidas, ideia que inspira o futuro Parque Indígena do Xingu, criado em 1961. - 1955 – 1956 · Marechal e Rondônia
Em 1955, o Congresso Nacional concede a Rondon o posto de marechal. Em 1956, o Território Federal do Guaporé passa a se chamar Rondônia, em sua homenagem. Hoje é um estado brasileiro. - 1958 · O legado
Rondon morre no Rio de Janeiro em 19 de janeiro de 1958. Foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz. O dia do seu nascimento, 5 de maio, é o Dia Nacional das Comunicações no Brasil.
Fontes
- Museu do Índio / FUNAI, biografia de Cândido Rondon
- Exército Brasileiro, patrono da Arma de Comunicações
- Diacon, Todd A. Rondon: o marechal da floresta. São Paulo: Companhia das Letras
- Roosevelt, Theodore. Through the Brazilian Wilderness (1914)









